Déa Januzzi
do Rio de Janeiro
Técnica culinária usa produtos crus, orgânicos
e funcionais, deixando de lado processos de industrialização
e de cozimento, para a prevenção de doenças
e preservação da saúde
Você já experimentou leite da terra, suco do Sol,
pão dos essênios e musse de rosas? Não?
Então, venha e esqueça o árido estilo da
alimentação contemporânea. Nada de fast
food, delivery, microondas e freezer, pesticidas ou aditivos
químicos, pois um novo conceito de alimentação
está ganhando adeptos em todo o mundo: a culinária
viva, vega ou crudivorista, uma dieta à base de alimentos
vegetais in natura, que não passam pelo processo de industrialização
ou de cozimento. É o que mostra o médico gastroenterologista
carioca, Alberto
Peribanez Gonzalez, de 45 anos, formado em medicina
pela Universidade de Brasília (UnB), mestre e doutor
pelo Instituto de Pesquisa Científica de Munique, na
Alemanha, e autor do livro Lugar de médico é na
cozinha, lançado pela editora Universidade Estácio
de Sá, onde ele é professor de fisiologia cardiovascular.
Para conhecer as idéias do médico, é preciso
visitar um casarão histórico de três andares,
na Lapa, na zona boêmia do Rio de Janeiro. Num dia de
chuva fina, sob os arcos da Lapa, a equipe do caderno Bem Viver
chegou à Oficina da Semente, com pequeno restaurante
logo na entrada e uma cozinha, que é espécie de
laboratório vivo, onde ele desenvolve técnicas
culinárias para que os alimentos funcionais, orgânicos,
germinados e crus possam ser assimilados por famílias
de todas as classes sociais, na prevenção de doenças
e preservação da saúde.
Na mesa posta do bistrô, o almoço começa
a ser servido: salada verde, com chicória, alface, abacate,
tomate e uva passa. Em seguida, vem a cevadinha, sopa, verduras
amornadas e uma sobremesa que não leva açúcar,
mas encanta o paladar. O leite da terra, com água de
coco e castanhas é um néctar dos deuses.
Ao fundo, os cozinheiros Arzhel Racine, um francês de
24 anos; Ana Luiza da Silva, de 35, de Maceió; e outros
alunos que são considerados pelo médico como agentes
de saúde, pois estão ajudando a divulgar a alimentação
viva. Na bancada da cozinha, germinam brotos de girassol e de
trigo. Uma velha geladeira, que funciona no frio mínimo,
guarda legumes, hortaliças, ervas frescas e frutas de
todas as cores e sabores. O azeite extravirgem é o único
usado no preparo dos alimentos. Assim, nenhuma gordura saturada
vai ficar colada nas paredes da cozinha ou das artérias
do coração. E, como não há cozimento,
os nutrientes são inteiramente preservados.
Por instantes, Alberto sobe as escadas até a laje da
casa, onde está preparando o pão dos essênios,
cuja receita foi ensinada por Jesus Cristo e retirada dos manuscritos
do Mar Morto. Como Hipócrates, o pai da medicina, Alberto
Gonzalez, acha que o alimento é um dos caminhos da cura,
o melhor remédio. E veste o avental para ensinar 88 receitas
de alimentos crus e fáceis de preparar. Mas vai logo
avisando: “Sou um médico normal. Em minhas consultas,
o que muda é a prescrição”.
Fonte: UAI – Saúde Plena